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PROGRAMAÇÃO: OUTUBRO 2015

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* ENTRADA LIVRE * sábado, 16h00

Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

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VÍCIO INTRÍNSECO de Paul Thomas Anderson

Sinopse

Los Angeles (EUA), finais dos anos 1960. Há já algum tempo que o detective Doc Sportello não vê a ex-mulher. Certo dia, ela aparece para solicitar os seus serviços de forma a encontrar o paradeiro do seu novo namorado, um milionário supostamente raptado pela mulher dele e o amante dela. Sportello vê-se assim envolvido numa complicada teia de intrigas, onde terá de fechar os olhos aos seus escrúpulos e a muitas e complexas questões legais.

Com realização de Paul Thomas Anderson ("Magnólia", "Haverá Sangue", "O Mentor"), e com personagens tão diversas como proxenetas, toxicodependentes, agiotas, agentes da polícia ou um saxofonista numa missão secreta, um "thriller" psicadélico que adapta o romance homónimo do escritor norte-americano Thomas Pynchon. A compor o elenco estão os actores Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson, Katherine Waterston, Reese Witherspoon, Benicio del Toro, Jena Malone, Joanna Newsom e Martin Short. "Vício Intrínseco" recebeu duas nomeações para os Óscares, nas categorias de Melhor Argumento Adaptado e Melhor Guarda-Roupa.

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Ficha Técnica

Título original: Inherent Vice (EUA, 2015, 140 min)
Realização e Argumento: Paul Thomas Anderson
Interpretação: Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson
Produção: JoAnne Sellar, Daniel Lupi, Paul Thomas Anderson
Musica: Jonny Greenwood
Fotografia: Robert Elswit
Montagem: Leslie Jones
Estreia: 19 de Fevereiro de 2015
Distribuição: NOS Audiovisuais
Classificação: M/16

O sonho em forma realista
João Lopes, Cinemax

O cinema como experiência total: Paul Thomas Anderson é um dos grandes narradores do cinema contemporâneo (americano ou não) e "Vício Intrínseco", baseado no romance de Thomas Pynchon, aí está para o confirmar — uma viagem realista e onírica por Los Angeles na década de 1970.

A oposição maniqueísta forma/conteúdo pode (e deve), mais do que nunca, ser contestada. De acordo com uma máxima que vale a pena evocar, a forma é apenas o primeiro dos conteúdos. Que é como quem diz: a construção de uma narrativa (cinematográfica, literária, etc.) envolve já algo de vital na visão do mundo que nela se integra. Paul Thomas Anderson é um desses artistas que nos sabe fazer sentir que o modo de contar as suas histórias é já, em si mesmo, uma parte dessa história. Será preciso recordar "Jogos de Prazer" (1997)? "Magnolia" (1999)? "Haverá Sangue" (2007)?

Aí está o seu novo filme, "Vício Intrínseco", para o demonstrar. Baseado no romance homónimo de Thomas Pynchon, esta é uma viagem, ao mesmo tempo trágica e burlesca, realista e surreal, às paisagens conturbadas de Los Angeles durante a década de 1970. Pretexto: as deambulações mais ou menos erráticas de Larry 'Doc' Sportello, um detective privado não muito ortodoxo, interpretado por um fulgurante Joaquin Phoenix.

Por um lado, P. T. Anderson evoca a herança do cinema "noir" dos anos 40, em especial de obras-primas como "The Big Sleep" ("À Beira do Abismo"), realizado por Howard Hawks em 1946 — vogamos no interior de um labirinto em que a máscara menos transparente pode conter a verdade mais radical. Por outro lado, tudo acontece como se nenhuma personagem estivesse segura sobre a sua identidade — sendo o filme uma colisão de muitas solidões, cada uma delas enredada numa narrativa cuja linguagem as outras ignoram.

P. T. Anderson filma tudo isso como um sonho paradoxalmente realista, aspecto admiravelmente sublinhado pelas cores quentes, estranhamente "noirs", da fotografia de Robert Elswit. Ao mesmo tempo, a ambivalência de situações e ambientes, sustentada pela música de Jonny Greenwood (Radiohead), parece ter tanto de bailado imaginário de marionetas como de precisão de uma reportagem obsessiva. Não é todos os dias, de facto, que sentimos como o cinema pode ser uma experiência total.

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