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PROGRAMAÇÃO: OUTUBRO 2015

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* ENTRADA LIVRE * sábado, 16h00

Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

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Charulata de Satyajit Ray

Satyajit RAY – Charulata + A Grande Cidade + O Cobarde (*)
(de Outubro a Dezembro de 2015)

Sinopse

Charulata(1964, 120 min) Charu (Madhabi Mukherjee) é casada com Bhupati (Sailen Mukherjee), um indiano abastado. Apesar de se considerar uma mulher privilegiada, ela deambula pela casa, sentindo-se profundamente só. Por causa disso, Bhupati pede a Amal (Soumitra Chatterjee), um primo afastado, para fazer companhia à sua esposa e lhe ensinar tudo o que sabe sobre literatura. Com o passar tempo, Charu e Amal vão ficando mais íntimos até perceberem que estão apaixonados. Mas, apesar do desejo intenso que cada um nutre pelo outro, ele é incapaz de trair a confiança do primo. Filmado em 1964 pelo aclamado realizador Satyajit Ray (1921-1992), uma história situada em Calcutá (Índia), nos finais do séc. XIX, que adapta a obra "Nastanirh" escrita por Rabindranath Tagore, em 1901. "Charulata" arrecadou o Urso de Prata para Melhor Realizador e o Prémio OCIC na edição de 1965 do Festival de Cinema de Berlim.

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Satyajit Ray x 6

João Lopes, Sound + vision

As reposições em cópias novas de grandes clássicos da história do cinema continuam, felizmente, a marcar presença no mercado português: agora é a vez do mestre indiano Satyajit Ray (1921-1992) — este texto foi publicado no Diário de Notícias (25 Setembro), com o título 'À redescoberta de um clássico da Índia'. Por cruel ironia, a sua maior visibilidade pública ocorreu poucas semanas antes do seu falecimento. Foi a 30 de Março de 1992, quando Ray, doente no seu leito, surgiu na 64a cerimónia dos Oscars através de uma gravação realizada poucos dias antes, em Calcutá, agradecendo o prémio honorário com que a Academia de Hollywood o distinguiu “pela sua visão profundamente humanitária”— viria a falecer poucas semanas mais tarde, a 23 de Abril, contava 70 anos.

Dos filmes agora repostos em cópias novas, cinco deles correspondem à fase de consolidação do universo do realizador, revelado ao mundo através da célebre “Trilogia de Apu” (1955-59). Os dois mais antigos, A Grande Cidade (1963) e Charulata (1964) serão os mais divulgados (tanto mais que ambos lhe valeram prémios de realização no Festival de Berlim), reflectindo a preocupação em analisar o confronto da pulsão amorosa com os valores tradicionais do espaço familiar, sempre com especialíssima atenção às singularidades da paisagem feminina.

Os títulos que se seguem cronologicamente — O Santo (1965), O Cobarde (1965) e O Herói (1966) — ajudam-nos a perceber que a invulgar delicadeza melodramática do olhar de Ray (especialmente sensível em Charulata) não basta para caracterizar o seu trabalho. Há nele uma versatilidade que, não poucas vezes, o leva a explorar os caminhos da comédia social, no limite desmontando os clichés do cinema do seu próprio país.

O Santo coloca em cena a utilização demagógica da religião, através da personagem quase burlesca de um homem que se faz passar por um ente divino, enquanto O Cobarde e O Herói observam de forma metódica, por vezes cáustica, os bastidores da indústria cinematográfica. O Herói, em particular, reflecte uma temática que está longe de ter perdido actualidade: a percepção íntima de um actor/vedeta, levado a reavaliar a distância que separa o sucesso público das atribulações da vida privada.

O Deus Elefante (1979), realizado logo após O Jogador de Xadrez (1977), um dos maiores sucessos internacionais de Ray, ilustra uma dimensão quase picaresca, indissociável de alguns livros de aventuras que escreveu. Trata-se, aliás, da adaptação de um dos seus romances centrados nas actividades do detective Feluda, dir-se-ia uma espécie de Hercule Poirot “à indiana”. A sua investigação em torno do desaparecimento de uma valiosa estatueta do deus Ganesh tem tanto de comédia de costumes como de fábula social. Outro mestre asiático, o japonês Akira Kurosawa, proferiu um dia uma frase sobre Ray, mil vezes evocada nos mais diversos contextos: “Não ter visto os filmes de Ray é ter vivido no mundo sem nunca ter visto a lua e o sol”. Celebrando a sua universalidade, poderemos dizer que regressaram às salas portuguesas seis planetas da galáxia de Satyajit Ray.

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