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Sala de exibições Pequeno auditório
Casa das Artes de V. N. de Famalicão
Parque de Sinçães - V. N. de Famalicão

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O CONTO DA PRINCESA KAGUYA de Isao Takahata

Sinopse

Num dia que se previa igual a tantos outros, um ancião acorda para mais um dia de trabalho. Na labuta, depara-se com uma menina minúscula dentro de um pau de bambu. Fascinado com a perfeição daquela doce criatura, leva-a para casa e dá-lhe o nome de Kaguya. A bebé cresce aos cuidados do velho senhor e da sua mulher, que a amam como se fosse do seu próprio sangue. Com o tempo, ela torna-se uma jovem bela e cheia de vida que conquista os corações ao seu redor. Todos se rendem aos seus encantos, incluindo cinco nobres pretendentes a quem Kaguya recusa casamento. Porém, o seu nome rapidamente chega aos ouvidos do Imperador, que decide tomá-la como esposa. Ao dar-se conta do interesse dele, Kaguya foge desesperada...

Um filme de animação realizado por Isao Takahata ("O Túmulo dos Pirilampos"), que se inspira num conto tradicional japonês do séc. X. "O Conto da Princesa Kaguya" teve uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme de Animação. Na versão internacional do filme, as vozes das personagens são emprestadas pelos actores Chloë Grace Moretz, James Caan, Mary Steenburgen e George Segal, entre outros.

Download do Dossier

Ficha Técnica

Título original: Kaguyahime no monogatari (Japão, 2013, 130 min.)
Realização: Isao Takahata
Interpretação: Chloë Grace Moretz (Voz), James Caan (Voz),
Mary Steenburgen (Voz):
Produção: Seiichiro Ujie / Studio Ghibli
Argumento: Isao Takahata, Riko Sakaguchi
Música: Joe Hisaishi
Distribuição: Outsider Filmes
Estreia: 9 de Abril de 2015
Classificação: M/6

A princesa que queria ser humana
Jorge Mourinha, Público de 9 de Abril de 2015

Depois de Miyazaki, um novo exemplo máximo do artesanato zen da animação japonesa, numa belíssima e arrebatadora miniatura sobre o que nos faz humanos.

Se Hayao Miyazaki continua a ser visto internacionalmente como o “mestre” da animação japonesa contemporânea, o seu cúmplice (e associado no Studio Ghibli) Isao Takahata tem sido injustamente relegado para um “segundo plano” que em nada lhe fica atrás.

Autor de O Túmulo dos Pirilampos (1988), considerado uma das obras-primas absolutas do cinema de animação moderno, Takahata esteve 15 anos a trabalhar neste Conto da Princesa Kaguya – desde já um dos mais belos filmes que vamos poder ver em sala este ano, cuja delicadeza de toque e deslumbre visual o faz transcender a mera dimensão de conto de fadas oriental que lhe está na origem.

Exemplo máximo do artesanato gráfico do estúdio Ghibli, O Conto da Princesa Kaguya explora um traço suave e livre sobreposto a uma sucessão de delicados fundos aguarelados, de uma economia visual sugestiva e inspirada, para contar a história de uma menina magicamente enviada a um pobre cortador de bambu e à sua mulher, que tudo fazem para lhe dar a educação de princesa que o seu estatuto sobrenatural lhe parece atribuir. É uma história de aprendizagem que prolonga a tradicional concepção zen da necessidade de um constante equilíbrio com o mundo natural, ao mesmo tempo que, de modo quase imperceptível, explica as alegrias e as tristezas de se ser humano através das experiências da princesinha. Dito desta maneira, parece um filme para miúdos – e certamente que também o é – mas a prova maior da excelência de Takahata é que O Conto da Princesa Kaguya não é “apenas” um conto de fadas animado: é, sobretudo, uma miniatura de arrebatadora simplicidade sobre o que nos faz humanos contada com poesia benévola, como se o cineasta japonês nos enfeitiçasse durante quase duas horas e meia nas quais nada está a mais nem a menos.

É, apenas, um enorme, grandíssimo filme que deveríamos saber receber com o respeito que merece.

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