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MA LOUTE, de Bruno Dumont

Sinopse

Em 1910, vários turistas começam a desaparecer das praias à volta do Canal da Mancha, em França. A polícia é chamada a intervir e percebe que uma baía está no centro de tudo. E está tudo ligado a uma estranha família burguesa que passa férias na zona e não se cruza com ninguém. Nomeada para a Palma de Ouro em Cannes, uma comédia do francês Bruno Dumont, cujo último trabalho tinha sido a minissérie/filme "O Pequeno Quinquin". Juliette Binoche, Valeria Bruni Tedeschi, Fabrice Luchini, Brandon Lavieville e Raph dão vida às personagens.

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Ficha Técnica

Título original: Ma Loute (Alemanha / França, 2016, 122 min.)
Realização e Argumento: Bruno Dumont
Interpretação: Fabrice Luchini, Juliette Binoche, Valeria Bruni Tedeschi
Fotografia: Guillaume Deffontaines
Montagem: Basile Belkhiri
Produção: 3B Productions, Arte France Cinéma, Pictanovo,
Estreia: 20 de Abril de 2017
Distribuição: Leopardo Filmes
Classificação: M/16

O apreciável excesso de Dumont
Inês Lourenço, DN

Este é um filme de risco. Bruno Dumont, que no anterior O Pequeno Quinquin saudava explicitamente o registo cómico, assumiu com Ma Loute uma boa dose de loucura e insuflou o seu cinema de bizarria. "Insuflar" é a palavra. Mas o género não é um rótulo. Ma Loute é um estranho objeto que mexe com os lugares-comuns e os transforma em paisagem trágica e burlesca.

Tudo se passa na região norte de França, década de 1910. Burgueses afetadíssimos, pescadores sombrios, uma dupla anedótica de polícias (qual Bucha e Estica), e outros exemplos de humanidade reúnem-se aqui numa narrativa detectivesca - sobre o misterioso desaparecimento de turistas na zona - que tem mais de surrealismo do que pistas a seguir. Dumont interessa-se pela extravagância das suas estrelas (Binoche, Luchini, Tedeschi), e nós somos devorados pelo cúmulo. Um delírio au naturel.

Homem trágico a correr para o ridículo
Vasco Câmara, Público de 14 de Abril de 2017

Só o grotesco dá a totalidade da experiência humana, diz-nos o cineasta Bruno Dumont. O trágico não chega. Ma Loute, história de burgueses e proletários, de incesto e antropofagia, chega às salas dia 20. É uma epopeia. Eis o homem.

Bruno Dumont está sempre à espera de ver as estrelas, Fabrice Luchini, Juliette Binoche e Valeria Bruni-Tedeschi, cair. Deu-lhes imbecilidades várias como diálogos, lugares-comuns adornados com preciosismos e gestualidade de teatro de boulevard, jogos para os dedos, tiques para a boca, etc..., a ver quando é que se estatelam com o exagero. Várias vezes dá um empurrão — Valeria, por exemplo, cai logo nos seus primeiros minutos no ecrã.

Fabrice, Juliette e Valeria, actores, vedetas, espécie educada, polida, são os Van Peteghem: uma família burguesa do Norte de França do início do século XX, com as suas alianças industriais, incesto e impotência (“C’est le capitalisme!”, exclama Luchini). Figuras atarantadas pelo medo, estão enfraquecidos pela endogamia — é o fim. É a classe proletária que os carrega ao colo — mas isso não leva os mais pobres ao paraíso.

Conhecemos, então, os Brufort, pescadores, grupo rugoso, inamovível, interpretado por não actores que têm pouco texto para os enfraquecer — mas é família também com segredos: são antropófagos. É desse grupo aquele que é conhecido como “Ma Loute”.

Mesmo que haja intervalos de graça, uma história de amor impossível entre jovens dos dois clãs, Ma Loute Brufort (Brandon Lavieville) e Billie Van Peteghem (Raph), e algumas levitações com que as personagens de Dumont se libertam do peso do mundo, a história é de não reconciliação — os profissionais de um lado, os amadores de outro? — e é fácil perceber, não é spoiler, quem é que está a comer quem.

“É interessante: os actores profissionais ficam incomodados com a presença dos actores não profissionais” — Dumont, cientista, oferece de forma serena o resultado da sua verificação. “Perturba-os, porque sentem muito bem que há algo de extraordinário ali e tentam contrariar isso. Mesmo no plateau é espantoso verificar como todos estavam intimidados uns com os outros: os não profissionais estavam fascinados porque viam Luchini e não imaginavam que ‘Luchini fosse assim...’ e esse tipo de parvoíces... E Luchini, da mesma forma, via que o amador é justo, que há nele um jogo extraordinário e isso perturba o profissional. O profissional tenta inventar uma justeza, é essa a beleza do seu métier: aceder à justeza. O não profissional é justo.”

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